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Dossiers  |  Teatros Lisboetas com História - Teatro Municipal de S. Luiz
Teatros Lisboetas com História - Teatro Municipal de S. Luiz
Hirondina Cavaco
Teatros Lisboetas com História - Teatro Municipal de S. Luiz
TEATROS LISBOETAS COM HISTÓRIA

No século XIX, o centro histórico de Lisboa, nomeadamente a zona situada entre Chiado, Bairro Alto e Baixa, era o ponto de convergência social e cultural da cidade. Hoje, guarda consigo a memória de um tempo em que a burguesia da capital frequentava as soirées promovidas pelos teatros que ainda se mantêm nesses bairros: S. Carlos, S. Luíz, Dona Maria II e Trindade.
Durante as próximas semanas, dar-lhe-emos a conhecer a história destas casas que, há mais de cem anos, oferecem cultura, sonho e diversão à população alfacinha. 
 
TEATRO MUNICIPAL DE SÃO LUIZ

A ideia da construção deste teatro nasce dum modesto actor, Guilherme da Silveira, que consegue angariar o apoio de um conjunto de capitalistas, entre os quais o Visconde de São Luíz de Braga, homem polémico e audacioso, muito bem relacionado em toda a Europa, nomeadamente com os maiores nomes do espectáculo, e que virá ser a alma deste espaço.

Assim, na noite de 22 de Maio de 1894, a sociedade elegante do Chiado acorre à inauguração de um novo teatro. Tão cosmopolita que se dedica essencialmente à exibição de companhias estrangeiras. Tão parisiense que fora projectado pelo francês Louis Reynaud. Tão aristocrata que até no seu nome homenageia Sua Majestade a Rainha que, acompanhada do Rei D. Carlos, honra este evento com a sua presença. Assim começa o Teatro D.Amélia.

Em 1898, o Visconde dá guarida à prestigiada companhia do Teatro D. Maria II, afastada da sua residência por decisão governamental e passa assim a contar com os nomes gloriosos do repertório nacional, embora  continue a alternar estes espectáculos com companhias estrangeiras de drama, comédia, ópera, bailado, fazendo desfilar pelo seu palco monstros sagrados como Sarah Bernhardt. A 5 de Outubro de 1910, cai a Monarquia. Para manter o seu teatro à la page, o Visconde baptiza-o “Teatro República”. Um incêndio devora-o por completo em 1914, mas o Visconde não se dá por vencido: muda a companhia para o São Carlos e reconstrói-o, mantendo a traça antiga do edifício. Em 16 de Janeiro de 1916, o República ressurge, ainda mais moderno e parisiense. Continuam as companhias estrangeiras, os concertos, os grandes acontecimentos que chamam a si nomes como Almada Negreiros ou Fernando Pessoa e, em 17 de Novembro de 1917, estreia-se no seu palco uma jovem de 19 anos oriunda da aristocracia cultural: Amélia Rey Colaço, que seria a maior e a mais influente personalidade do teatro português do século XX. Em 1918, o Visconde de São Luíz morre e, numa homenagem ao empresário, aquele teatro que ele transformara num centro de bom gosto e de cultura, muda outra vez de nome, passando a ser o Teatro de São Luíz.

Pouco a pouco, as valsas francesas e vienenses que animaram os anos 1920 perdem fulgor e o público começa a preferir o lusco-fusco do cinematógrafo. O São Luiz, sempre à moda, segue o gosto do público: remodela-se e equipa-se. No Sábado de Aleluia de 1928, inaugura-se como São Luíz Cine e faz descer o écran. Durante décadas, exibe quase em exclusivo as produções da Metro-Goldwyn-Mayer e acolhe grandes concertos, os maiores concertistas (o pianista Arthur Rubinstein), os melhores cançonetistas franceses (Lucienne Boyer, Maurice Chevalier, Charles Trenet), e também muita poesia clássica e moderna. Nos anos 60, o cinema vai de mal a pior e volta-se timidamente ao teatro. Apesar de nomes gigantes do teatro nacional pisarem as tábuas das glórias passadas, o público teima em não comparecer. Em 6 de Maio de 1971, o teatro é comprado pela Câmara Municipal de Lisboa, passando então a chamar-se Teatro Municipal de São Luíz. Volta a dramaturgia, com uma companhia municipal encabeçada por Eunice Muñoz e dirigida por Luiz Francisco Rebello que, por circunstâncias políticas e falta de público, se desfaz em 1972. No coração do Chiado, em parte ardido em 1988, o São Luíz permanece à deriva e volta até a ser cinema. Em Dezembro de 2002, após ter sofrido obras de remodelação, é inaugurado com o musical Amália, a homenagem de Filipe La Féria à mulher portuguesa mais célebre do século XX.
Desde a sua reabertura, o Teatro Municipal São Luíz, vem se afirmando como um teatro vivo, com um público assíduo e temporadas de grande êxito. Na Sala Principal (com lotação para 730 pessoas) passam nomes com reconhecimento internacional como Pina Bausch, Artur Pizarro, Maria João Pires; são encenados autores como William Shakespeare, José Saramago, David Hare, Federico Garcia Lorca; tocam grandes orquestras, encantam musicais, diverte o humor, revelam-se novos talentos, apresentam-se grandes nomes do Fado (Camané, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Katia Guerreiro, Jacinta) e tocam nomes incontornáveis do Jazz nacional (Carlos Martins, Bernardo Sassetti, Mário Laginha, Maria João), que têm ajudado a construir a já emblemática Festa do Jazz do São Luíz; entre muitos outros.
 
Com características de programação igualmente bem definidas, o Jardim de Inverno (170 lugares) proporciona hoje um espaço de encontro, de discussão ou de puro entretenimento, revelando-se como um local privilegiado para a apresentação de jovens artistas.
 
Aquele que foi, com sucessivos nomes, quer teatro, quer cinema é hoje o actual Teatro Municipal de São Luíz e faz jus à sua fama de décadas: aquela que foi sempre considerada a sala mais chic da capital promove os eventos mais badalados e é um incontornável local de descoberta e de convívio, onde toda a gente encontra toda a gente.  
 

São Luiz Teatro Municipal
Rua António Maria Cardoso, 38, 1200-027 Lisboa. Tel geral: 213 257 640 Tel bilheteira: 213 257 650 www.teatrosaoluiz.egeac.pt
 

  
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