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Dossiers  |  O 28: oeléctrico mais desejado de Lisboa
O 28: oeléctrico mais desejado de Lisboa
Hirondina Cavaco
O 28: oeléctrico mais desejado de Lisboa

Encontrei-o pela primeira vez num manual escolar do nono ano, num texto intitulado “A pisadela” que me valeu o exame oral mais reivindicativo e mais curto de toda  minha escolaridade. Do alto dos meus parisienses 13 anos, não imaginava então que o velhinho “amarelo” mais famoso de Lisboa, o eléctrico “28”, mantivesse o colorido ao longo dos anos e passasse um dia a fazer parte do meu quotidiano.


Inaugurada em 1914, a linha do eléctrico hoje conhecido como “o 28 “ começa por transportar passageiros da Praça de Camões à Estrela. Em 1928, ano em que é prolongada pela primeira vez, desce à Baixa, ganha o número com que hoje é identificada e o nome de “carreira 28 Rossio-Estrela”. Seguem-se várias décadas de sobe e desce, pára-arranca e saracoteios pelas ruas de Lisboa, a sofrer alterações e aumentos de percurso até chegar, em 1984, áquele que é o seu trajecto actual.

Os castiços carros bidirecionais “tipo 700”, fabricados por Leito Maley & Taunton, com potência de 50 Kw, travões manuais a ar comprimido, electromagnéticos e electropneumáticos, de inconfundível côr amarela (hoje muitas vezes invadida por anúncios publicitários) tornaram-se um dos “ex-libris” de Lisboa. Dos Prazeres à Graça (e ao Martim Moniz, no seu itinerário mais longo), numa rota semeada de 40 paragens, transportam incansavelmente turistas encantados, putos à pendura na porta traseira, alfacinhas barulhentos e carteiristas à coca dos mais distraídos.

Meio de transporte, diversão ou símbolo da cidade, de colina em colina, o 28 convida todos aqueles que nele viajam a descobrir vielas, calçadas íngremes e curvas apertadas - onde os seus condutores mostram orgulhosamente a sua habilidade -, num trajecto comprido e  complexo que vai dos bairros populares aos mais nobres, passando por uma multitude de igrejas, conventos, palácios, jardins, largos, teatros, museus, becos, travessas, brasões, estátuas, azulejos, miradouros, cores, flores e cheiros que fazem toda a riqueza desta Lisboa histórica, humana, pitoresca e plural.

Tornei-me uma alfacinha de coração que todos os dias, na rua da Conceição, entra e sai deste, verdadeiro eléctrico do desejo de muitos estrangeiros que invariavelmente me perguntam o caminho para o Castelo ou para o Chiado. Menos agradável é o tilintar constante da sua campaínha que perturba os meus dias de trabalho e a experiência de algumas pisadelas (testemunhadas ou vividas) como aquela que o texto do meu exame de Português relatava, mas os meus dias - e os de muita gente- não seriam os mesmos sem esta máquina que se tornou um monumento andarilho original e divertido, indispensável à paisagem urbana e humana de lisboeta.

» Informações úteis :

Frequência : O eléctrico 28 realiza o percurso Campo de Ourique/Prazeres - Martim Moniz (e em alguns horários apenas entre a Graça e os Prazeres) em intervalos de aproximadamente 15 minutos.

Bilhete : Um bilhete normal da Carris custa € 1,40 – pode ser adquirido a bordo. Para quem pretende entrar e sair várias vezes do eléctrico é preferível comprar um bilhete de um dia, que custa € 3,70.

A visitar, os vários locais emblemáticos de Lisboa : o miradouro da Graça, o Panteão Nacional, a Igreja e Mosteiro de São Vicente de Fora, a Feira da Ladra (realiza-se todas as terças e sábados, no Campo das Cebolas), a Fundação Ricardo Espírito Santo, o Castelo São Jorge, o Miradouro de Santa Luzia, a Sé Catedral de Lisboa, a Praça do Comércio, a pastelaria “A Brasileira”, o Museu do Chiado, o Miradouro de Santa Catarina , a Basílica da Estrela, o Jardim da Estrela. Entre outros…


  
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