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Marchas Populares
Juliette Dejardin
Marchas Populares
Na noite de 12 para 13 de Junho, os bairros de Lisboa vão concorrer entre si, defendendo cada um as suas cores.Esperam-se 3500 espectadores na Avenida da Liberdade e o espectáculo será transmitido em directo pela televisão.
Mas donde vem esse costume de desfilar assim vestido pelas ruas ?

Certo é que se honra o Santo António mas, se formos mais a fundo no assunto, descobrimos que esta homenagem ao santo não é mais do que uma desculpa para fazer a festa!

Na verdade, as festas dos Santos Populares (S. António, S. Pedro e S. João) devem-se às destas do mês de Maio (as Maias), celebradas na noite de 30 de Abril para 1 de Maio, às quais se atribuem várias origens (celebração do Corpo de Deus, Homenagem à Virgem). O carácter religioso das "maias" desapareceu pouco a pouco, os bailes de rua multiplicaram-se e o rei D. João I acabou por proibir esse tipo de manifestação por considerá-la demasiado pagã. Tendo o povo português uma grande apetência pela festa, começou então a celebrar outra data, a quinta-feira da Ascensão (Dia da Espiga ) para comemorar a chegada dos primeiros frutos.

No século XVIII, na época de Napoleão, os Franceses lançaram a tradição das marchas militares a cada mês de Junho,  apelidadas de “marchas dos fachos” (marches aux flambeaux) em memória da tomada da Bastilha. Os Portugueses apoderaram-se dessa ideia, substituindo as tochas dos soldados franceses por balões de papel e fogos de artifício.

Foi assim que a tradição antiga das danças e cânticos das "Maias" passou para o mês de Junho para honrar os Santos Populares.

As ruas de Lisboa enfeitam-se de cravos, que são o esplendor do mês de Junho, manjericos ornam as varandas e as janelas. Vendidos em cada esquina, vêm acompanhados dum cravo de papel  com uma bandeirola onde se inscreve um ditado popular.( Amuleto da sorte para quem saiba conservá-lo durante um ano...)

Na noite de 12 de Junho, acendem-se os churrascos para grelhar as sardinhas e os jovens dançam até ao romper do dia.
A alcachofra brava (ou de S. João) é um dos símbolos importantes da festa e das marchas. Antigamente, quem quisesse assegurar-se da sinceridade do seu amor, fazia grelhar ligeiramente uma alcachofra em flor. Se esta voltasse a florescer alguns dias mais tarde, lia-se nela o sinal dum amor sincero podendo levar ao casamento.

Arcos, balões, cravos, manjericos, alcachofras, braseiros são fonte de inspiração para os letristas das Marchas. A música é mais compassada e alegre do que a do Fado, os refrãos mais arrebatadores.
Devemos a Leitão de Barros, ajudado por Norberto de Araújo (escritores, letristas e jornalistas), as Marchas Populares tais como as conhecemos hoje. Com efeito, foram eles que promoveram as Marchas em 1932. Os primeiros bairros participantes foram o Alto do Pina, o Bairro Alto e Campo de Ourique.
Em 2008, participaram do evento um total de 20 bairros e este ano junta-se ainda a eles o Belém Clube.

A organização das Marchas cabe à EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural da Câmara Municipal) e o concurso desenrola-se em duas partes: uma apresentação no Pavilhão Atlântico e o desfila na Avenida da Liberdade dia 12 de Junho.

O regulamento é muito exigente.

Os Participantes na Marche são:

Habitualmente, noivos recém casados, escolhido pelo município pela ocasião do Santo António, abrem o desfile. Seguem-se-lhes dois grupos fora de concurso: "A marcha Infantil da Voz do Operário" e a “Marcha dos Mercados". Vêm depois os representantes dos 20 bairros: um casal de crianças de menos de 10 anos, as mascotes, um porta-estandarte, o casal de padrinhos (figuras conhecidas: cantores, actores, comediantes, apresentadores, personalidades...), 24 casais de bailarinos, 4 aguadeiros, que ajudam a colocar os acessórios em posição e distribuem água ao longo dos 1000 m de desfile, 2 "treinadores".

A Música:

O "cavalinho" é um grupo de músicos. Devem entrar obrigatoriamente 12 instrumentos : 1 flauta, 1 clarinete, 2 saxofones, 2 trompetes, 2 trombones, 1 tuba, 1 bombo, 1 baixo, 1 tambor.

A Coreografia:

Cada Marcha elabora 4 coreografias, uma de entre elas faz alusão ao bairro que representa. As coreografias podem durar não menos de 15 minutos nem mais de 20. (penalização de 5 pontos). Pelo menos 2 das coreografias devem ser acompanhadas de letra e música originais.

A cenografia:

É obrigatória a apresentação dos 12 arcos. Um deles deve representar uma característica da cidade de Lisboa, outro, o bairro que concorre e um terceiro deve fazer alusão a Sto António.
A decoração dos arcos e os elementos cenográficos devem incluir os três elementos tradicionais seguintes: festão, balão ou manjerico.

O júri é composto por 9 pessoas:

o Presidente e um representante da EGEAC, que não atribuem pontos, um coreógrafo, um encenador, um estilista, um escritor, um músico, bem como mais duas personalidades, que atribuem uma nota global.
A apresentação no Pavilhão Atlântico é tão importante quanto a do desfile de 12 de Junho pois as notas contam por metade.

Se tiver vizinhos ou conhecidos que participam nas marchas, será divertido juntar-se ao grupo de adeptos. Terá acesso gratuito ao Pavilhão quando o seu bairro se apresentar, receberá uma camisola com as cores do grupo mas sobretudo, será cordialmente convidado para os ensaios para encorajar o bairro. Então, a noite de 12 de Junho e as Marchas Populares, verdadeiro desafio físico, passará a ter para si e para toda a sua família, miúdos e graúdos, todo o seu sentido, pois não conseguirá escapar ao fanatismo do grupo!

Programação Festas 2010: http://www.festasdelisboa.com/

ver Festas de Lisboa em Junho ...

  
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