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Dossiers  |  José Ribeiro: da cerámica à fotografia
José Ribeiro: da cerámica à fotografia
cédric Lecler
José Ribeiro: da cerámica à fotografia
Encontrei o José por acaso no restaurante de uma amiga em comum. De olhar malicioso, gostei imediatamente deste personagem fora do comum, lisboeta, curioso de tudo e bom ouvinte. Quis fazer um texto sobre o seu percurso para o site.

A entrevista teve lugar num edifício banal da Av. Infante Santo. Ultrapassada a porta de entrada, entra-se no universo de José, paredes cobertas de fotografias, paisagens asiáticas, retratos de homens e mulheres cujos rostos contam histórias. Estas fotografias realizadas por ele revelam uma grande maturidade e uma facilidade em captar o essencial. É normal : José levou 45 anos a tornar-se fotógrafo.

José, lisboeta, nasceu à meio século nas Caldas da Rainha, na época em que esta cidade era a capital da cerâmica decorativa portuguesa. O seu pai era o fundador de uma das fábricas de cerâmica mais conhecidas no país, SECLA. O percurso de José parecia irremediavelmente ligado ao universo da cerâmica.
O seu primeiro contacto com a fotografia foi no entanto quando era ainda muito novo, aos 7 anos, ele ajudava o pai  fotógrafo amador, a revelar as fotografias na câmara escura instalada na propriedade.

Aos 16 anos quis tornar-se fotógrafo, mas o pai dissuadiu-o : Não se ganha dinheiro  a fazer-se fotografia !
Por isso, apesar de contrariado José foi estudar e depois trabalhar em Inglaterra no universo da cerâmica (Royal Colledge of Art para o Queensberry &Hunt). De volta a Portugal passou muitos anos em várias fábricas de cerâmica (SPAL, Fáb de Loiças de Sacavém)e também no estrangeiro ( Brasil, Canadá)...mas sem fazer uma única foto.

Em 1982, José decidiu mudar o curso do seu destino tornando-se empresário.deixou a cerâmica e criou uma sociedade informática PORTUS. O sucesso foi imediato e PORTUS tornou-se em 1987 a 5ª maior empresa informática do país. Para José foi a consagração e o reconhecimento como homem de negócios bem sucedido, mas era isso que verdadeiramente procurava ?
O convite de um amigo para um passeio de veleiro vai mais uma vez alterar o curso do destino :Foi um dia que segundo José, mudou a visão das coisas. Foi nesse barco,  longe de tudo que José soube que um dia, e quaisquer que fossem as consequências, ele seria dono do seu tempo e do seu destino.

Em 1995, José vendeu todas as suas cotas na PORTUS aos seus empregados e deixou o navio para partir durante 5 anos num veleiro de 16 metros e fazer a volta ao mundo (apesar de nunca ter navegado ...).

Aos 45 anos, José decidiu assumir finalmente a sua paixão pela fotografia. Pelos oceanos e em todos os países em que aportou, recupera o tempo perdido guardando na sua memória imagens, retratos e pedaços de vidas que serão a base da sua inspiração futura.
Foi um outro homem que voltou a Lisboa, aberto, sereno, e pronto a abordar a fotografia com a maturidade necessária para captar o essencial em cada homem ou em cada objecto.

Em 2004 nasceu o primeiro album de fotos de José, « the girl next door » lançado em 2005 e que é uma alegoria fofográfica à mulher.

Várias exposições mais tarde, José tornou-se fotógrafo reconhecido em que a especialidade é o retrato.

Está a realizar actualmente um album para o Museu da Água que sairá em Fevereiro. Fotografias soberbas sobre este museu de Lisboa ! Um outro album sobre o universo gay está em preparação onde José quer através da fotografia tentar exprimir com pudor e respeito toda a sensibilidade do mundo gay quer na vida pública quer na privada.

Aos 51 anos, José, sereno, tem o tom de voz de quem pousou a mala no lugar certo.  



José Pinto Ribeiro : +351 91 938 90 91 jpr@josepintoribeiro.com www.josepintoribeiro.com


  
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