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Dossiers  |  Jacarandás de Lisboa
Jacarandás de Lisboa
Hirondina Cavaco
Jacarandás de Lisboa
Jacarandás de Lisboa


Quem já passou por Lisboa no mês Junho certamente guardará dela a recordação dos cheiros a manjerico e a sardinha assada, das cores alegres das Festas Populares, e especialmente do azul… Azul do Tejo, azul do céu e da copa de cerca de 2000 árvores que adornam as avenidas da cidade: os jacarandás.


O florescer desta árvore nativa da América do Sul, cujo nome é de origem Tupi, significa para o Lisboeta, que o Verão está à porta.


Para mim, traz a recordação da minha chegada à capital, há vinte anos atrás. Lembra-me o quão maravilhada fiquei com esta árvore exuberante cujas flores variam em matizes de lilás e azul consoante a luz, e em que não me canso de perder o olhar.


Não se sabe ao certo quando e como o jacarandá-mimoso (a mais comum das cerca de 800 espécies desta Bignoniaceae espalhadas pelo mundo) foi introduzido em Portugal.

Certo é que cobre vastas áreas de Lisboa (sobretudo no Parque Eduardo VII, no Largo do Carmo, na zona do Príncipe Real e nas Avenidas 5 de Outubro e D. Carlos I) e simplesmente encanta quem por ele passa.


O jacarandá lisboeta (já é muito nosso, sim senhor!) é uma planta meramente ornamental, amplamente usada em arborização urbana pois a sua raiz cresce para baixo e não danifica a calçada à sua volta. Esta árvore de porte alto, podendo atingir 15 metros de altura, perde todas as folhas no Inverno e floresce de forma abundante e magnífica no início do Verão.


Cresce e propaga-se facilmente em clima ameno (tropical e subtropical), através de sementes aéreas, contidas em vagens, verdadeiras cápsulas de madeira cuja forma de concha inspira artistas que as transformam em brincos e demais adornos ecológicos.


Mas muitas das espécies de jacarandá são fonte de riqueza para os países que os produzem, pois dão madeiras das mais finas (como o pau-rosa, o pau-santo, o pau-preto), utilizadas no fabrico de mobiliário de luxo e instrumentos de música.


Infelizmente, por esta mesma razão, o jacarandá corre risco de extinção, sendo a ganância motivo de abate indiscriminado e sem preocupação de reposição desta árvore, que leva longos anos para atingir a maturidade.


Fruto do tempo - e das alterações infligidas ao clima-, este ano, os jacarandás floresceram mais cedo em Lisboa, mas talvez vá a tempo de fazer uma experiência. Certamente ainda encontrará cantos da cidade onde o chão está coberto dum manto de campânulas cor de alfazema; sente-se aí, num banco de jardim, ou mesmo no tapete suave que se lhe oferece e mergulhe no azul…Sinta-se a navegar.


Abra sonhos sobre o mar, cruze o Atlântico, viaje até ao país irmão, paraíso tropical de onde nos veio esta planta (quiçá primeiro símbolo da globalização promovida pela lusa nação), e deixe-se levar pelas forças de vida, a beleza e a paz que ela traz. Desfrute o privilégio do seu encanto… até ao desabrochar do próximo Verão!

  
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