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18 Janeiro, 2019       LISBOA - MAX. Times of clouds and sunº, MIN. 04º

 
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Dossiers  |  Feliz Natal em Lisboa !
Feliz Natal em Lisboa !
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Feliz Natal em Lisboa !

Feliz Natal em Lisboa !


Natal? Com estas temperaturas?
O Natal em Lisboa, talvez nem sempre corresponda à ideia  que acabámos por interiorizar de que o Natal na Europa tem neve ou chuva, ou pelo menos frio ...

No entanto se o tempo ficar mais húmido, podem ter a certeza de que vão sentir frio!!!
Também não é um Natal do hemisfério sul em que se pode andar de calções e ir à praia.
É um Natal do sul da Europa, com características bem diferenciadas e com menos frio do que nos países em que o Pai Natal visita as casas envoltas num manto de neve.

Como no resto do mundo ocidental, por esta altura decoramos a cidade com iluminações mais ou menos alusivas à época que certamente ajudam à criação de um ambiente festivo e predisposto à generosidade. Generosidade essa que é esperada ansiosamente pelos comerciantes que aspiram a que esta quadra lhes traga belas prendinhas para os seus sapatinhos (desculpem, bolsinhos), tal e qual os meninos e as meninas mal e bem comportados.

É assim, que a cidade se transforma, inundada de pequenas luzes criando formas entre os ramos das árvores, algumas já desprovidas de folhas, construindo  pontes por cima das ruas e das nossas cabeças que podem adquirir formas de renas, estrelas, laços, presentes, velas ou figuras alusivas mais ou menos estilizadas. Colocam-se em alguns edifícios redes de pequeninas luzes como estrelas para redesenharem as suas linhas arquitectónicas como se de luz fossem feitas.

É neste ambiente em que os Lisboetas discutem se as decorações deste ano são ou não mais bonitas do que as do ano passado, que o Natal se aproxima das famílias e por vezes... dos corações das pessoas.

Nesta quadra assistimos à proliferação de iniciativas que visam apoiar os mais desfavorecidos, realizando-se para isso vendas de natal cujo resultado reverte a favor de  associações caritativas ou de instituições não lucrativas, representando vários tipos de doentes, de crianças, dos sem abrigo, de vítimas de agressão, etc...

Confesso que acho bonita, esta ideia dos cristãos associarem o nascimento de Cristo à generosidade e à solidariedade, mas não se esqueçam de que também há pessoas cuja ganância as faz não se importarem de usar a generosidade dos outros para obterem um ganho fácil e ilegítimo, pelo que devem conhecer o mais possível a organização que decidirem apoiar.

É ainda neste ambiente de generosidade que se procuram as prendas que serão distribuídas entre familiares e amigos, assim como os ingredientes com que se farão as iguarias para serem apreciadas na noite e no dia de Natal. Claro que esta demanda faz subir os preços sobretudo, dos brinquedos, da roupa e da comida, mas como estamos em tempo de generosidade, tudo se aguenta!

As crianças são as melhor posicionadas para receberem a atenção de todos, neste período, por isso, os espectáculos de circo aparecem e assistimos à montagem de grandes tendas em alguns pontos da cidade. Também a música e o bailado fazem parte da tradição e os eventos orientam-se  para a quadra festiva, por isso todos os anos podemos assistir às representações do “Quebra-nozes” de Tchaikovsky, assim como aos concertos de música natalícia. Aparecem novas versões de “Pedro e o lobo” de  Prokofiev e também novas edições de Contos de Natal, tanto dos clássicos como  novos, que se encontram nos escaparates das livrarias.

É a Lisboa globalizada no início do séc.XXI que no entanto consegue manter algumas características de antigamente...

Sendo um país de tradições católicas, o presépio foi ao longo dos tempos o centro das comemorações, havendo uma larga tradição na representação da Natividade com todos os elementos a que podemos recorrer; em primeiro lugar a Sagrada Família com o Menino Jesus na manjedoura,  N ª Senhora como mãe extremosa, S. José protector e atento com o seu bastão de caminhante,  aquecidos pela  proximidade da vaca e do burro. A estrela por cima da cabana indicará o caminho a Gaspar, Belchior e Baltazar. Os pastores e seus rebanhos também costumam estar presentes, consoante o espaço. A representação pode ser complementada com pequenas casas, riachos, pontes, pequenos lagos, desníveis de terreno, caminhos e vegetação por onde se espalham as figuras.

É a continuação da tradição iniciada no período barroco, nos finais do séc. XVIII com presépios muito elaborados e mecanizados em que todos os elementos eram cuidadosamente fabricados criando a sensação de estarmos a olhar para um quadro vivo. São conhecidos como “Aparelho de Presépio” com noras, moinhos e riachos em movimento. Os mais famosos são os de Machado de Castro com centenas de figuras que ainda hoje podem ser vistos no Museu de Arte Antiga ou na Basílica da Estrela.

Hoje em dia nas nossas casas continuamos a montar presépios, se bem que mais pequenos, algumas vezes reduzidos à Sagrada Família, mas permanecendo um elemento fundamental da nossa tradição natalícia.

Durante o séc. XX, também se generalizou a utilização da árvore de Natal, como componente decorativa desta quadra e que nos chegou das tradições do norte da Europa.

Na noite de Natal, as famílias costumam reunir-se para um jantar em que o alimento de eleição é o bacalhau cozido que acompanha com batatas, couves, grelos, cenouras, ovos e cebolas, também cozidos e temperados com azeite.

Para o almoço do dia de Natal a tradição gastronómica centra-se no peru e numa variedade de acompanhamentos onde podemos encontrar batatas assadas ou fritas, arroz, legumes, castanhas ou saladas, nas formas em que a criatividade e estética contemporâneas conseguem imaginar.   

A doçaria é uma presença forte à mesa, o bolo rei (com frutas cristalizadas) e o rainha (com frutos secos)  à cabeça, seguindo-se as rabanadas, azevias, lampreias de fios de ovos, bolinas, filhoses, aletria, arroz doce, coscorões e sonhos, todos os frutos secos têm também lugar à mesa nesta época, sobretudo as amêndoas, pinhões, nozes, avelãs e passas.

O Natal também é, tentar manter a magia da infância, e a inocência de acreditar em tudo o que os adultos dizem, por isso algumas famílias mantém-se fieis à crença do Pai Natal, que deixa as prendas às crianças e aos adultos. Estou a lembrar-me da menina de 12 anos que já sabendo que o Pai Natal, na realidade não existe, continua a fingir que acredita para não retirar magia ao momento dos primos mais novos...pensando bem, para além de generoso também me parece pedagógico.

E a cidade no Natal é isto mesmo, mais trânsito, mais luzes, mais compras, mais sorrisos, mais abraços, mais almoços e jantares de Natal, mais atenção aos pobres, às crianças, aos doentes e aos idosos... mas serão todos abrangidos e na medida do que necessitam?        

Missa do Galo :
- na Sé de Lisboa : muito concorrida, celebrada pelo Cardeal Patriarca,
- no Convento dos Cardaes : Muito bonita com um coro de freiras,
- Stº António do Estoril.
Melhores endereços para comprar o Bolo Rei :
- Confeitaria Nacional na Praça da Figueira
- Confeitaria Aquarius no Alto de Algés.




Com os nossos agradecimentos à Javhlan Byamba pela cedência das fotografias das decorações de Lisboa.


  
nos últimos 3 anos, enquanto cidade turística, Lisboa:
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