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LINHAS DE CIDADE - A poesia fotográfica de Maria José Sobral
Nathalie Vogelsinger-Martinez
LINHAS DE CIDADE - A poesia fotográfica de Maria José Sobral

 

LINHAS DE CIDADE
 
Lisboa toda em linhas
 
A poesia fotográfica de Maria José Sobral

 

Como qualquer feliz expatriada em Lisboa, encaro com dor o tempo do regresso, aquele onde a recordação virá depois do prazer intenso do verão em Novembro, os pés na água na Caparica, do espectáculo estonteante de Belém, da intensidade adocicada da vida Lisboeta. Porém, sei que esse dia virá. Por isso, queria levar comigo um pedaço de céu, um pedaço das ruas e das fachadas que me deixam maravilhada, um pedaço da história desta cidade, tão comovente pelo seu passado e palpitante pelas suas promessas.
 
Procurei e pois encontrei. Descobri fotos, olhares, uma artista, uma mulher, uma história. Lisboa moderna, Lisboa toda em linhas e formas, Lisboa de hoje e de amanhã, aquela que revela a estética de Maria José Sobral.
 
A história de Maria José é a de muitos franco-portugueses embalados desde a infância por essa música lancinante que é a pronúncia dos seus pais e que fala de um outro lugar, que só se vê nas férias. Esse outro lugar é o Portugal do Norte, o de Viseu, das montanhas e dos vales onde o verde domina e fascina a criança que, desde então, só sonhará com esses espaços longuínquos reduzidos a linhas na sua memória, não as que se escrevem mas aquelas que se esboçam  através da objectiva.

 

 


 

 

Obviamente, existe aquele apelo, aquele desejo de regresso às origens, à origem do que se é, do que nos tornamos, do que se deseja ser entre a França da nossa infância e o Portugal que imaginamos ideal. A Maria José estuda gestão de empresas para dirigir a sua e a das emoções, quando se deixa levar pelas suas visões, refugiada por trás da objectiva. Portugal será Lisboa sem razão definida. Seduzida pela cidade tão próxima do rio -a fonte da origem-, fotografa as suas pontes, os seus parques, os seus pátios interiores, os seus arcos e joga com as sombras e as luzes.
 
A revelação dá-se com a Exposição Universal de 1998. Portugal exprime-se sem limite, com orgulho e felicidade no Parque das Nações. Os arquitectos rivalizam de criatividade a céu aberto, basta olhar para nos sentirmos levados por todos os rios que para lá convergem. Para a Maria José, é o fascínio e a evidência do que ela gosta : as formas e as linhas impõem-se num bailado extremamente sensual,  corpos de betão gigantescos animam-se e movem-se sob o olhar comovido da fotógrafa.

 

 


 

 

Quando olhamos as fotos da Maria José Sobral, encontramos a doçura da mulher que é, quase tímida, reservada, silenciosa para melhor ver captar as atmosferas, à espera,  disponível para o  espectáculo que acontece à sua frente, quando as formas e as linhas se ajustam num quadro harmonioso que nos leva para um espaço de luz.
 
Desde então, a Maria José seduz empresas e particulares com as suas fotos. Escolhem aquelas que lhes transmitem o que querem dizer ou guardar para si, é sempre um hino ao jogo da sombra e da luz mas também das cores. Também faz retratos para quem gosta do olhar poético que deita sobre as coisas e as almas, com doçura, ternura e volúpia.
 
Quando eu deixar Lisboa daqui a uns anos,  levarei comigo uma destas obras fotográficas de Maria José Sobral. Nos dias de « saudade », seguirei uma destas « linhas de cidade » e  perder-me-ei assim projectada nesse mundo de Luz que atravessei por um tempo.

 

 


 
Para contactar Maria José Sobral (francês/português) : sobralmaria@iol.pt
Preço indicativo foto : a partir de 80 Euros
Preço indicativo reportagem : a partir de 200 Euros
 
 
Texto de
Nathalie Vogelsinger-Martinez


  
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